MRV passa de alta para queda após prévia do 4T: o que mercado achou dos números?
A MRV Engenharia (MRVE3) divulgou os dados operacionais para o 4T25 e os resultados se mostraram satisfatórios — ao menos, dentro do que era esperado. Após a divulgação dos resultados, mercado reagiu bem, com papel tendo a maior alta do dia. Ao longo da manhã, o cenário se inverteu e ações passaram a ter baixa; os ativos fecharam com perdas de 5,34%, a R$ 7,62. Na máxima do dia, os papéis subiram 6,34%, a R$ 8,56.
Por um lado, os números divulgados mostraram que a companhia superou ou esteve próximo de superar as expectativas dos analistas de vendas líquidas dentro do período; por outro, a performance esteve muito abaixo das previsões de lançamentos. Para os analistas da XP Investimentos, o resultado com as vendas líquidas acima do esperado foi o suficiente para pender a balança para o lado positivo, de maneira sutil. As vendas líquidas da MRV aumentaram para R$ 2,76 bilhões (+6% em relação ao ano anterior, +18% em relação ao trimestre anterior), uma performance 4% melhor do que a esperada pelos analistas da XP, que estavam pessimistas.
Outro lado positivo foi a geração operacional de caixa pela primeira vez em um ano. De acordo com o Goldman Sachs, foram R$ 72 milhões no nível da MRV, contra os R$ -20 milhões do 3T25. Segundo a própria companhia, a geração de caixa poderia ter ganhado um adicional de R$ 104 milhões, caso não fossem considerados os novos critérios da Caixa Econômica Federal (CEF). A nova metodologia passou a reconhecer a transferência das vendas apenas quando registradas em cartório — o que desacelerou o processo.
O consumo de caixa teve uma leve melhora em comparação ao trimestre anterior, de -R$ 3 milhões, contra os -R$ 11 milhões do 3T25. A queima de caixa da Resia no trimestre foi de R$ 148 milhões, enquanto a Luggo e a Urba tiveram queimas de -R$ 12 milhões e -R$ 18 milhões, respectivamente.
Os lançamentos, por outro lado, ficaram abaixo das estimativas da maior parte dos bancos. Para o JPMorgan, os lançamentos que chegaram a R$ 2,97 bilhões estavam 2% abaixo do esperado, na comparação com os R$ 2, 85 bilhões do 4T24. Para o ano, os lançamentos totalizaram R$ 11,84 bilhões, um aumento de 19% em relação ao ano anterior. Para 2026, o banco espera que o número chegue a R$ 12,74 bilhões. “Apesar da geração positiva de caixa (na operação Brasil) no trimestre, preferimos ver o segmento de incorporação apresentando um fluxo de caixa operacional consistente para recuperar a confiança na tese”, afirmaram analistas do Citi, que têm recomendação neutra/alto risco para as ações.
Analistas do Bank of America, que têm recomendação neutra para os papéis, também destacaram que o principal ponto a ser acompanhado é uma recuperação consistente da geração de caixa, que permita iniciar o processo de desalavancagem e reconstruir a confiança dos investidores ao longo de 2026.
Para a equipe do BTG Pactual, que tem recomendação de compra para as ações, a prévia do quarto trimestre trouxe mais pontos positivos do que negativos, com números operacionais sólidos no Brasil, além de uma geração de fluxo de caixa livre no país positiva e acima das expectativas deles.
‘O caminho para uma desalavancagem mais significativa será irregular, mas o potencial de alta pode ser relevante quando esse processo se materializar, e a MRV começa a mostrar sinais de recuperação’, acrescentaram os analistas do BTG em relatório.
(com Reuters)
