Após forte alta em 2025, BTG vê cenário exigente para construtoras em 2026

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19/02/2026Referências
Após forte alta em 2025, BTG vê cenário exigente para construtoras em 2026

Após um 2025 de forte valorização para as construtoras de média e alta renda listadas em bolsa, com as ações do segmento subindo cerca de 87% no ano, o BTG Pactual reforçou a necessidade de seletividade para 2026 e manteve a Cyrela (CYRE3) como sua principal escolha (top pick) no setor. Em relatório, os analistas Gustavo Cambauva, Gustavo Fabris e Luis Mollo destacaram que a combinação de valuation atrativo, diversificação de negócios e exposição ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV) coloca a companhia em posição mais defensiva diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador.


“A empresa possui um forte histórico operacional na média e alta renda e uma exposição crescente ao mercado de classe baixa, o que adiciona resiliência aos lucros”, escreveram no documento.


Helbor é compra; Melnick nem tanto

No conjunto de revisões para as construtoras, o BTG elevou a recomendação da Helbor (HBOR3) de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 4,10 para os próximos 12 meses. O valor implica potencial de valorização de 36% em relação à cotação atual, de R$ 3,02.


Segundo o banco, as ações da incorporadora estão “excessivamente descontadas”, sendo negociadas a 0,4 vez o múltiplo preço sobre valor patrimonial (P/VP), o menor entre as empresas cobertas pela casa. “Embora reconheçamos que a alavancagem da Helbor é elevada, em 61% de dívida líquida sobre o patrimônio líquido, esperamos que a companhia gere um fluxo de caixa livre sólido, por meio da venda de estoques e terrenos, e recupere a lucratividade à medida que as despesas financeiras diminuam”, avaliou o BTG.


Recentemente, a Helbor concluiu a venda de dois terrenos e também intensificou campanhas de marketing voltadas à comercialização de unidades prontas. Por outro lado, o banco rebaixou a recomendação da Melnick (MELK3) de compra para neutra, com preço-alvo de R$ 4,80 por papel, o que representa potencial de alta de 22% frente aos atuais R$ 3,94.


De acordo com os analistas, a decisão reflete um risco-retorno menos atrativo, dado que a empresa deve enfrentar limitações de crescimento devido à elevada concentração em Porto Alegre, onde já detém cerca de 30% de participação de mercado, o que dificulta ganhos adicionais de escala. “Embora alguns argumentem que a Melnick poderia crescer em outras regiões por meio de joint ventures, acreditamos que essa estratégia é mais arriscada, já que os projetos não são controlados pela companhia, além de demandar mais capital, o que tende a pressionar a distribuição de dividendos no curto prazo”, afirmaram. Entre as empresas, o BTG ainda manteve recomendação neutra para Mitre (MTRE3), com preço-alvo de R$ 4,80, e para Even (EVEN3), com R$ 9,50.


Já para Eztec (EZTC3), Lavvi (LAVV3) e Trisul (TRIS3), o banco reiterou as indicações de compra, com preços-alvo de R$ 21, R$ 23 e R$ 9, respectivamente.


2025 sólido, apesar dos desafios

No relatório, o trio de analistas destacou que as construtoras de média e alta renda tiveram um desempenho sólido no ano passado, mesmo diante de um ambiente macroeconômico adverso. “2025 foi marcado por números surpreendentemente fortes, com lançamentos consolidados crescendo 29% na base anual e vendas aumentando 1%”, afirmaram.


Segundo eles, as empresas “desafiaram a gravidade” ao conseguirem expandir volumes e preservar margens em um cenário de juros altos e deterioração significativa da acessibilidade ao crédito.


Cenário segue exigente

Embora avalie que o pior já tenha ficado para trás — com expectativa de que a Selic termine 2026 em torno de 12%, ante os atuais 15% —, o BTG pondera que esse movimento não deve se traduzir em uma queda relevante das taxas de financiamento imobiliário, hoje próximas de 14% ao ano.


Segundo o banco, isso ocorre principalmente devido à escassez de recursos para financiamento, após saídas expressivas da poupança, e ao efeito das eleições de outubro, que tendem a aumentar a incerteza e levar famílias a adiar a compra de imóveis. “Recomendamos, portanto, seletividade por parte dos investidores”, destacou a casa. Construtoras: estoques em alta

Outro ponto de atenção levantado pelo BTG é o avanço dos estoques. Apesar de as vendas terem crescido em 2025, os lançamentos avançaram em ritmo bem superior, o que levou a um aumento de 32% nos níveis de estoque na comparação anual.


“Em nossa opinião, isso merece atenção, pois com taxas de juros altas, o custo de manutenção dos estoques aumenta, e a venda de unidades prontas costuma ser mais desafiadora do que a de projetos recém-lançados.”


Além disso, de acordo com a casa, estoques elevados podem pressionar o retorno sobre o patrimônio (ROE), seja pela menor rotação de ativos ou pela necessidade de concessão de descontos.


MCMV: a solução

Para mitigar a ciclicidade do setor, o banco observa que várias incorporadoras e construtoras expandiram suas atividades para a baixa renda, especialmente por meio do Minha Casa, Minha Vida, que oferece um perfil de resultados mais defensivo e previsível. “Consideramos essa tendência positiva, pois permite aumentar o ROE, dada a atratividade do segmento, além de reduzir os riscos macroeconômicos, já que a demanda por habitação popular tende a ser mais estável”, afirmou o BTG.

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