Surpresas do Copom e o mercado imobiliário

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30/10/2026Referências
Surpresas do Copom e o mercado imobiliário

Mesmo sendo um mercado com crédito direcionado e taxas reguladas, o setor imobiliário sente de forma intensa as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). É o que mostra uma dissertação de mestrado da FGV-EESP, coorientada pelo economista Marcelo Kfoury Muinhos, que analisou como surpresas na Selic afetam as empresas imobiliárias listadas na B3.

Crédito imobiliário ainda pequeno no Brasil

O crédito imobiliário saltou de menos de 2% do PIB em 2007 para 10,7% em agosto de 2026, mas ainda está longe de países como Estados Unidos (cerca de 45%), França (43%) e Espanha (34%). Mesmo assim, cresce mais rápido do que o crédito total, que passou de 30% para 55,4% do PIB no mesmo período. Em 12 meses, o crédito imobiliário avançou 2,7% em proporção do PIB, enquanto o crédito livre recuou 1%.

Juros e inadimplência bem diferentes

Enquanto o crédito livre para pessoa física tem juros de cerca de 61% ao ano, a taxa regulada do financiamento imobiliário é de 10,9%. A inadimplência também contrasta: 8,01% no crédito à pessoa física, o maior valor da série iniciada em 2011, contra 1,24% no imobiliário, estável no período.

O que o estudo mostrou

A pesquisa mediu as surpresas do Copom pela variação do DI Futuro em uma janela de 120 minutos em torno dos anúncios. O resultado: choques contracionistas derrubam o índice imobiliário (IMOB) de forma imediata e mais intensa que o Ibovespa. Para cada surpresa de +10 pontos-base, o Ibovespa cai cerca de 0,48%, enquanto o IMOB recua aproximadamente 0,87%. O efeito também se mostrou persistente no curto prazo.

Por que o setor é mais sensível

Segundo o estudo, as empresas imobiliárias listadas são mais expostas ao custo de capital, à alavancagem, às condições de financiamento e a fluxos de caixa de longo prazo. Já o índice de fundos imobiliários (IFIX) apresentou reação mais fraca e menos estável, por reunir ativos com dinâmica mais próxima de renda e distribuição.

Espaço para crescer

Na avaliação do autor, mesmo com o alto endividamento das famílias, o crédito imobiliário ainda tem muito espaço para crescer no país. Uma melhor coordenação entre as políticas fiscal e monetária, com fiscal mais apertada e monetária mais frouxa, reduziria as surpresas de juros e daria mais estabilidade ao setor.

Conteúdo adaptado pela equipe OBRASS.

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