CNI diminui de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do PIB em 2026

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30/10/2026Referências
CNI diminui de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do PIB em 2026

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026. Segundo o Informe Conjuntural do 3º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (28), a revisão se deve principalmente às perspectivas menos favoráveis para a indústria de transformação e para os serviços, que devem se sobrepor ao avanço da agropecuária e da indústria extrativa.

Juros afetam mais quem depende do mercado interno

De acordo com a CNI, os setores que mantêm ou ampliam as projeções, como extrativa mineral e agropecuária, dependem pouco da demanda interna e da política monetária. Já os segmentos mais sensíveis aos juros, como indústria de transformação, comércio e parte dos serviços, estão sendo mais afetados.

Construção mantém projeção de alta

A projeção para a indústria caiu de 2% para 1,3%, a maior revisão negativa. A transformação deve recuar 0,7%, enquanto a extrativa deve crescer 9,1%. A construção teve a previsão de alta mantida em 1,5%, sustentada pela expansão do Minha Casa, Minha Vida e pelos investimentos em infraestrutura, apesar dos juros altos e da demanda mais fraca. Os serviços devem crescer 1,6%, e a agropecuária teve a projeção elevada de 1,8% para 2,5%.

Mercado de trabalho ainda sustenta a demanda

A CNI prevê crescimento de 1,2% da população ocupada e queda do desemprego de 5,3% para 5% até o fim do ano. A menor disponibilidade de trabalhadores deve pressionar salários, e a massa de rendimento real deve subir 4,6%.

Contas públicas e dívida

O governo deve fechar o ano com déficit primário de R$ 54,6 bilhões (0,4% do PIB), mas, com as exceções previstas para a meta, o resultado oficial seria um superávit de R$ 12,6 bilhões. A dívida bruta deve subir de 78,6% para 83,7% do PIB.

Inflação e Selic

A CNI projeta IPCA de 5,15% em 2026 e cortes de 0,25 ponto na Selic nas duas reuniões restantes do ano, levando a taxa a 13,25%. Para a entidade, isso ainda representa juros reais de cerca de 9%, quase o dobro da taxa neutra, o que segue desestimulando o crescimento.

Para o setor de construção, o cenário de juros elevados e inflação de custos reforça a importância de planejamento financeiro e controle orçamentário das obras.

Conteúdo adaptado pela equipe OBRASS.

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